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Felipão


Numa noite de sábado, em meados de novembro/2018, atendo um chamado em uma região periférica da grande São Paulo, próximo da 1 hora da manhã, como motorista de aplicativo.
Surge meu personagem, um adolescente alto, cheio de espinhas no rosto, falando ao celular com bastante urgência. Interrompendo a fala ao celular, o mesmo se dirige a mim e diz, "meu irmão morreu". Tal fala ficou evidente, a mim, não tratar-se de um irmão consanguíneo, e sim um parceiro, um companheiro de baladas. Ato contínuo, estávamos nos dirigindo ao local onde seu "irmão" se encontrava. Quando  o indaguei acerca do motivo da morte, Felipe foi claro e preciso; a polícia o matou, ele vendia e consumia drogas.
Sem surpresa alguma, ele ainda discorreu, de forma pormenorizada, todo seu conhecimento sobre drogas, sintéticas ou não, drogas "novas" ou com novas definições; "bala", "doce", são algumas que até então não as conhecia com tais denominações.
Não foi necessário indaga lo se ele era usuário, ele disse que consumia há anos, e não se importava, lhe dava prazer, ele gostava e isso é o que lhe interessava.
Chego ao local de destino, e fico catatônico com o que vejo, um universo de aproximadamente 500 pessoas, em sua maioria adolescentes, fechando a rua e fazendo com que não se enxergava calçada ou chão, tamanho era o volume de pessoas, música alta, um cheiro de maconha dominava a cena, a bebida corria solta, um agito só.
Felipão me disse, "tá vendo aquela rua lá em cima, sobe e vaza, você acabou de sair do inferno", fechei os vidros do carro, coloquei destino no GPS e, como ele disse, vazei.
Não consegui mais trabalhar, a noite acabou  para mim, uma sensação de peso, um mal estar, uma grande tristeza tomou conta de mim. Felipão poderia ser meu filho, qual perspectiva que ele e todos aqueles jovens tem?, passado alguns meses me indago, será que ele ainda está vivo?
Muito triste, olhos marejados, fui para minha casa, a noite acabara.

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